Por: Jorge Aragão – Reaction News – 27 de fevereiro de 2026

O Espírito Santo entrou oficialmente na rota das grandes batalhas políticas de 2026. Não se trata apenas de mais uma eleição estadual; o que se desenha no horizonte capixaba é um rearranjo de forças capaz de redefinir o peso da direita e da esquerda no Sudeste, com reflexos diretos em Brasília.
No centro desse tabuleiro está Magno Malta. Experiente, combativo e dono de um capital político consolidado, especialmente no interior do estado, ele não apenas articula sua própria movimentação rumo ao Palácio Anchieta, como também pavimenta o caminho para um projeto familiar inédito: lançar sua filha, conhecida politicamente como Maguinha Malta, ao Senado Federal.
O Projeto Maguinha: Estratégia e Risco Calculado
Maguinha Malta — nome político de Magda Malta — não surge como uma figura improvisada. Ela cresceu no epicentro da política nacional durante a CPI do Narcotráfico (1999–2000), período em que seu pai ganhou projeção nacional enfrentando o crime organizado. Relatos indicam que ela passou parte da adolescência sob proteção da Polícia Federal devido a ameaças sofridas pela família. Hoje, na faixa dos 40 a 45 anos, Maguinha carrega a experiência de quem respira os bastidores do poder desde 1995.
O plano do PL é tático: como o mandato de Magno no Senado vai até 2031, ele não precisa disputar a reeleição em 2026. Isso permite que ele utilize sua estrutura e influência para impulsionar a filha rumo a uma das duas vagas que estarão em disputa — atualmente ocupadas por Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos). Caso logrem êxito, veríamos um feito inédito na política capixaba: pai e filha ocupando, simultaneamente, cadeiras no Senado da República.
A Jogada de “Risco Zero”
A legislação eleitoral brasileira oferece uma rede de segurança confortável para o senador: Magno pode disputar o Governo do Estado sem renunciar ao mandato atual. Se perder, reassume sua cadeira em Brasília normalmente. Se vencer, renuncia para assumir o Executivo estadual.
Nesse cenário de vitória, o controle político da vaga de Magno permaneceria em “mãos amigas”. A primeira suplente é Marcinha Macedo (PL), alinhada à base conservadora e evangélica, seguida pelo Tenente Emerson, representante da pauta de segurança pública. É uma engenharia eleitoral de precisão, onde o grupo político não perde espaço, independentemente do resultado.
O Vácuo de Casagrande e a Direita Fragmentada
Com a saída prevista de Renato Casagrande para disputar o Senado, abre-se uma lacuna real no comando do Executivo. O nome da continuidade é Ricardo Ferraço (MDB), vice-governador técnico e moderado, que aposta na previsibilidade da máquina estadual.
Contudo, a direita enfrenta o desafio da fragmentação:
- Lorenzo Pazolini (Republicanos): Reeleito em Vitória com perfil de gestor, disputa o mesmo eleitorado conservador de Magno, mas com um tom menos ideológico.
- Arnaldinho Borgo (PP): Embora tenha votação expressiva em Vila Velha, transita em uma zona de ambiguidade entre o pragmatismo administrativo e o discurso de direita, o que pode custar caro em uma eleição polarizada.
A divisão entre Magno e Pazolini é o ponto mais sensível da equação. Se ambos mantiverem candidaturas, o voto conservador se fragmenta, abrindo caminho para o adversário ideológico.
O Embate Nacionalizado: Magno vs. Helder Salomão
Do outro lado do espectro, o nome mais consistente é o de Helder Salomão (PT). Ex-prefeito de Cariacica, ele representa o palanque natural do presidente Lula no estado. Um eventual segundo turno entre Magno e Helder seria a reprodução local da polarização nacional: o “Bolsonarismo raiz” contra o “Lulismo”.
Enquanto Magno tende a dominar o Norte e o Sul do estado, Helder concentra força na Região Metropolitana. O fiel da balança será o eleitor moderado e os índices de abstenção.
O Que Está em Jogo?
Em 2026, o eleitor capixaba terá que escolher entre narrativas distintas:
- Continuidade administrativa (Ferraço) vs. Ruptura ideológica (Malta).
- Direita de gestão (Pazolini) vs. Direita de mobilização (Malta).
- Centro pragmático vs. Polarização nacional.
O PL aposta que o interior do estado responderá com vigor ao discurso de valores e identidade. A grande questão é se a direita conseguirá se unificar ou se entregará a vitória de bandeja para a esquerda ou para o centro por falta de coesão. Uma coisa é certa: o Espírito Santo deixou de ser coadjuvante e, em 2026, funcionará como um verdadeiro laboratório político para o Brasil.


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