
Editorial Reaction News
O PREÇO DA IRRELEVÂNCIA
Por Jorge Aragão — Reaction News
18 de janeiro de 2026
O fim de semana de 17 e 18 de janeiro de 2026 expôs, de forma quase didática, o atual tamanho da diplomacia brasileira. Em dois palcos distintos — Assunção e Washington — tornou-se evidente que a estratégia de “liderança pelo discurso”, adotada pelo governo Lula, entrou em colapso diante da realidade geopolítica.
O vazio em Assunção
No Paraguai, líderes do Mercosul reuniram-se em uma tentativa derradeira de preservar o acordo comercial com a União Europeia. A presença dos chefes de Estado era considerada essencial para sinalizar coesão e peso político do bloco. Ainda assim, a cadeira do Brasil permaneceu vazia.
A ausência de Lula não foi um detalhe protocolar nem um mero conflito de agenda. Foi um gesto político. Ao se retirar do debate regional no momento decisivo, o Brasil abriu mão, na prática, da liderança que historicamente exerceu na América do Sul. Liderança não se exerce à distância. Quem não comparece, não decide. E quem não decide, acaba sendo conduzido pelos demais.
Enquanto o Planalto evita o desgaste interno de negociar cláusulas ambientais duras com os europeus, países vizinhos avançam, articulam e ocupam o espaço deixado pelo Brasil — que assiste, passivamente, da arquibancada.
O boleto de Washington
Quase simultaneamente, a nova administração Donald Trump enviou um recado claro ao mundo: a era do soft power acabou. Informações que circularam em Washington indicam que países interessados em integrar o novo “Conselho da Paz” para Gaza — iniciativa que o Itamaraty vê como vitrine diplomática — precisarão contribuir com cerca de US$ 1 bilhão para financiar segurança e reconstrução.
Para um governo que construiu sua política externa sobre a narrativa de protagonismo global e mediação de conflitos, o choque foi imediato. Trump transformou a diplomacia em transação. O recado é direto e sem rodeios: quem quiser participar da mesa principal precisa pagar a conta.
A diplomacia do cheque especial
A contradição é evidente. No plano interno, o governo contingencia recursos, veta cerca de R$ 400 milhões do orçamento e corta verbas sensíveis. No plano externo, vê-se diante de uma escolha incômoda: pagar o “ingresso” bilionário exigido por Washington para manter a aparência de relevância internacional ou recusar e assumir o isolamento progressivo no Ocidente.
Se pagar, enviará recursos do contribuinte brasileiro para sustentar uma estratégia diplomática baseada mais em imagem do que em resultados concretos. Se não pagar, aceitará o papel de espectador nas decisões que moldam o cenário global.
Conclusão
O Brasil inicia 2026 menor do que começou 2023. No Mercosul, tornou-se o gigante ausente. No cenário internacional, um aspirante sem crédito político. A política externa fundada em retórica e alinhamentos ideológicos encontrou seu limite.
De um lado, a cadeira vazia em Assunção simboliza a evasão da responsabilidade regional. Do outro, a fatura enviada por Washington deixa claro que, no mundo real, influência se constrói com poder, presença e capacidade de decisão — atributos que Brasília, hoje, demonstra não possuir.
O preço da irrelevância chegou. E, como sempre, não será baixo.


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