A Amnésia Histórica do Brasil: Quando Desmobilizar os Militares É o Primeiro Passo da Ditadura
Por Jorge Aragão / Reaction News / 19 de julho de 2026
O Brasil vive hoje um movimento que já vimos antes — e que terminou mal. Todo projeto de poder autoritário começa pelo mesmo caminho: enfraquecer, desmoralizar e isolar as Forças Armadas, para que o povo fique sozinho. Com as eleições de 2026 no horizonte, entender essa mecânica não é exercício acadêmico. É sobrevivência democrática.
O Praça que Voltou da Guerra e Foi Esquecido
Em 1945, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) desembarcaram no Rio de Janeiro carregando a glória de terem derrotado o fascismo italiano em Monte Castelo e Montese. Eram soldados que haviam visto de perto o que acontece com um povo que entrega suas liberdades a um único homem.
Getúlio Vargas entendia exatamente esse perigo.
Em meses, a FEB foi dissolvida. Sem cerimônia, sem política de reintegração, sem reconhecimento institucional. Os veteranos foram dispersados, suas organizações desarticuladas, seu prestígio social sistematicamente apagado. O regime precisava que esses homens — que haviam lutado contra ditadores — não se tornassem o núcleo de uma redemocratização.
Funcionou. O Brasil levou décadas para erguer um memorial digno aos seus pracinhas.
O Mesmo Roteiro, Atores Diferentes
Oitenta anos depois, o padrão se repete com precisão desconcertante.
Desde 2023, o governo Lula e seus aliados no Judiciário construíram uma narrativa sistemática de criminalização das Forças Armadas. Inquéritos, pressão institucional, corte de benefícios, insinuações sobre golpismo — o objetivo não é punir eventuais transgressores. O objetivo é o mesmo de Vargas: fazer com que o militar brasileiro hesite antes de cumprir sua missão constitucional de defesa da soberania nacional e da ordem democrática.
Um soldado que teme ser processado por fazer seu trabalho é um soldado que não faz seu trabalho.
A Estratégia da Esquerda: Povo Contra Farda
Há décadas a esquerda brasileira investe numa narrativa cuidadosamente construída: militares são inimigos do povo. A tática tem raízes ideológicas — e funcionou.
Parcelas da juventude urbana cresceram acreditando que as Forças Armadas representam ameaça, não proteção. Que o quartel é o oposto da democracia. Que admirar um praça é saudosismo autoritário.
É uma inversão deliberada da realidade histórica. São os militares que juraram defender a Constituição — inclusive contra abusos do próprio poder civil. São eles que, quando motivados e coesos, representam o último obstáculo entre o cidadão e o arbítrio total.
Enfraquecer essa percepção pública não é coincidência política. É estratégia.
O Que Está em Jogo em 2026
Com as eleições se aproximando, a pergunta que todo brasileiro consciente precisa fazer não é apenas “em quem voto”. É: em que estado estão nossas instituições de defesa quando chegar a hora de as urnas falarem?
Uma Força Armada desmoralizada, cujos quadros temem represálias e cujos líderes enfrentam processos, não está em condições ideais de exercer o papel que a Constituição lhe atribui: garantir os poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer um deles, a lei e a ordem.
Não é golpismo exigir Forças Armadas dignas. É republicanismo elementar.
Brasileiro Não Pode Esquecer Desta Vez
O pracinha da FEB foi esquecido. Desmobilizado. Silenciado. E o Brasil pagou o preço com décadas de instabilidade institucional, populismo e erosão democrática.
A geração que hoje luta pela liberdade de expressão, pela independência do Judiciário e pela redemocratização real — não a de fachada — precisa entender que Forças Armadas motivadas, respeitadas e constitucionalmente firmes são aliadas da liberdade, não adversárias.
Todo ditador sabe disso. É hora de o povo saber também.







