IMBEL Apresenta Novo Fuzil de Precisão AGLC e Arsenal Inédito na Passagem de Comando
Em cerimônia realizada no auditório da Secretaria de Economia e Finanças (SEF), no Quartel-General do Exército em Brasília, a Indústria de Material Bélico do Brasil — IMBEL — promoveu em 1º de julho de 2026 a transmissão do cargo de Diretor-Presidente e o lançamento de uma nova geração de armamentos e sistemas de defesa. O evento reuniu o que há de mais alto na hierarquia militar brasileira e marcou a estreia pública do novo Fuzil de Precisão .308 WIN MD1 — a versão completamente modernizada do consagrado AGLC — ao lado do fuzil de assalto IA2 7,62mm, munições de artilharia e sistemas de rádio comunicação de última geração.
Estive presente nesta solenidade a convite pessoal do General de Divisão Ricardo Rodrigues Canhaci, então Diretor-Presidente da IMBEL, com quem mantenho laços de amizade desde os tempos em que atuei como Representante Oficial da empresa para os estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Fui com missão dupla: registrar jornalisticamente toda a cerimônia e os lançamentos — e contar ao leitor da Reaction News o que vi e ouvi naquele espaço onde a soberania militar brasileira tem endereço fixo.
Um agradecimento especial ao Coronel Araújo, hoje no COLOG (Comando Logístico do Exército), pelo suporte imprescindível antes, durante e após o evento — sem ele, grande parte desta cobertura não teria sido possível.

O Novo AGLC: Uma Arma Completamente Diferente
Para entender a importância do lançamento, é preciso conhecer a história. O Fuzil .308 AGLC original, lançado em 2016 pela IMBEL, é uma arma de precisão baseada na clássica ação Mauser, com coronha de madeira Açoita-Cavalo, carregador interno de apenas 4 cartuchos, comprimento total de 1.200mm e peso de 4,7 kg. É uma arma voltada para sniper e caçadores — projetada para precisão absoluta abaixo de 1 MOA, não para combate de alta cadência.
O que foi apresentado no evento é uma arma completamente diferente desta plataforma: o Fuzil de Precisão .308 WIN MD1. A transição do AGLC original para o MD1 representa uma ruptura técnica e conceitual profunda. Sai a coronha de madeira, entram o chassi em alumínio aeronáutico e a coronha polimérica ajustável. Sai o carregador interno de 4 tiros, entram os 10 cartuchos em carregador destacável. O cano encolheu — de 609mm para 457mm — tornando a arma mais compacta e tática, sem abrir mão da precisão. O trilho Picatinny integrado permite montagem de lunetas diurnas, noturnas, lanternas e acessórios táticos com rapidez e sem ferramentas. O MD1 chegou ao evento já montado com luneta de longo alcance e bipé tático — equipado para missão.
Especificações Técnicas — Fuzil de Precisão .308 WIN MD1
| PARÂMETRO | ESPECIFICAÇÃO |
|---|---|
| Calibre | .308 Win (7,62×51mm NATO) |
| Funcionamento | Repetição (ação Mauser modernizada) |
| Capacidade | 10 cartuchos (carregador destacável) |
| Comprimento do Cano | 457 mm |
| Peso (sem carregador) | 6.300 g |
| Chassi | Alumínio aeronáutico |
| Coronha | Polimérica ajustável |
| Acessórios | Trilho Picatinny integrado, bipé tático, luneta |
| Emprego | Sniper, operações especiais, caçadores homologados |

O IA2 7,62mm: Fuzil de Assalto em Nova Fase
O Fuzil de Assalto IA2 7,62mm é um produto independente do AGLC — uma arma de combate de alta cadência, mais curta e leve, projetada para engajamentos táticos em distâncias médias. A versão 7,62mm já existia anteriormente; a novidade apresentada é a versão automática, que aguarda autorização formal da CAEx (Comissão do Exército) para entrar em produção regulamentada.
Acompanhando a família IA2, foram lançados o Fuzil de Treinamento 5,56 IA2 — plataforma idêntica ao modelo operacional para instrução sem consumo de munição de combate — o Fuzil Simulador de Tiro, com alto potencial de exportação para países que buscam reduzir custos de formação de tropa, e o Conjunto Conversor de Calibre .22, adaptável às plataformas IA2, permitindo treinar com munição de baixo custo sem alterar a ergonomia da arma operacional.

Arsenal Completo: Munições, Mísseis e Rádios Rondon
O evento que antecedeu a cerimônia de transmissão — realizado no Espaço General Leônidas Pires Gonçalves — expôs em mesas protocoladas uma cadeia produtiva que vai da espoleta ao sistema de comando e controle. No campo das munições e explosivos, foram lançados:
- Duas novas espoletas de ogiva de percussão para canhão 90mm
- Munições de artilharia 105mm e 155mm e morteiro 120mm
- Tiro 105mm de exercício para carros de combate Leopard e M-60
- Grãos propelentes para o míssil anticarro SIATT MAK12AC
No segmento de comunicações, destaque para a família de rádio transceptor multibanda TRC-1222 — o Rádio Rondon — dois módulos táticos robustos com GPS integrado e capacidade de comunicação além da linha do horizonte. Completam o portfólio o sistema C2 para a Viatura Blindada Leve Guaicurus e, em fase de desenvolvimento, a pistola 9mm striker fired.

A Solenidade: Ministro do GSI, COTER e uma Sala Cheia de Estrelas
A cerimônia foi presidida pelo General de Exército Marcos Antonio Amaro dos Santos, Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República — presença que evidencia o peso estratégico da IMBEL. O General de Exército Hertz, Chefe do DCT e Presidente do Conselho de Administração da IMBEL, conduziu a leitura do elogio ao General Canhaci e presidiu a assinatura dos Termos de Posse. O Chefe do COTER — general mais antigo da ativa no Exército Brasileiro — também marcou presença.
A plateia era uma rara reunião de poder militar: generais de quatro estrelas da ativa e da reserva, oficiais superiores das três Forças Armadas, representantes da Base Industrial de Defesa, ex-presidentes da IMBEL e autoridades civis. Poucas solenidades reúnem tantas estrelas num mesmo espaço.

Um Reencontro com a Família Neiva
Entre os momentos mais marcantes da tarde, tive a grata satisfação de reencontrar o General de Brigada Ivan Ferreira Neiva Filho, com quem tive contato profissional durante os anos em que atuei como Representante da IMBEL — em reuniões técnicas, discussões sobre regulamentação do SisFPC e encontros em feiras do setor como a LAAD. O general me reconheceu de imediato, o que foi uma satisfação pessoal. Sua carreira seguiu pelo Comando da 7ª Região Militar e pela Subcomandância Logística do Exército.
Na solenidade, o General Ivan Neiva estava acompanhado de seu pai, Coronel Neiva (da Reserva), ambos presentes para prestigiar a posse do irmão e filho, General de Divisão Flávio Mayon Ferreira Neiva, novo Diretor-Presidente da IMBEL. Tive a satisfação de fotografar ao lado do General Flávio Neiva e de seu pai — um registro especial desta cobertura.
Da esquerda para direita: Gen Bda Ivan Ferreira Neiva Filho · Coronel Neiva (pai, da Reserva) · Gen Div Flávio Mayon Ferreira Neiva (novo Diretor-Presidente da IMBEL) · Jorge Aragão (Reaction News). SEF/QGEx, Brasília — 1º de julho de 2026. Crédito: Acervo Reaction News.

O currículo do General Flávio Neiva é sólido: instrutor no IME, EsAO e AMAN; Assessor de Logística da Cooperação Militar Brasileira no Paraguai; Chefe do Escritório Brasileiro junto ao programa FMS (Foreign Military Sales) do governo dos EUA; Chefe da Assessoria Parlamentar do Gabinete do Comandante do Exército; e Subcomandante Logístico imediatamente antes da IMBEL. Ao seu lado, tomou posse o novo Vice-Presidente Executivo, General de Divisão Alexandre de Almeida Porto.
O Legado Canhaci: Melhor Ano do Século, 12 Países, R$ 86 Milhões
O General Canhaci encerrou 4 anos e 2 meses à frente da IMBEL com números que dispensam adjetivos. Em 2025, a empresa registrou o melhor desempenho financeiro do século XXI:
- Lucro operacional líquido de R$ 86 milhões
- Cumprimento integral de 612 contratos sem um único atraso
- Exportações ativas para 12 países — EUA, Reino Unido, Espanha, Chile, Singapura, entre outros
- 1.282 fornecedores e parceiros nacionais integrados
- 48 produtos estratégicos de defesa em portfólio ativo
A concentração de faturamento no Exército caiu de 90% para uma carteira tripartite: 50% Forças Armadas · 35% exportação · 15% mercado interno de segurança. A IMBEL é hoje a única produtora de nitrocelulose grau militar da América Latina, fornecendo 100% do insumo consumido pela CBC — um ativo de soberania que poucas nações do hemisfério Sul podem alegar.
🎥 Vídeo Exclusivo: O Discurso de Despedida do General Canhaci
A Reaction News registrou com exclusividade o discurso completo do General Canhaci na cerimônia — 28 minutos e 40 segundos de fala intensa, transmitidos em Estreia no canal Reaction News no YouTube.
Análise: O Brasil Que Produz Suas Próprias Armas
A solenidade de 1º de julho não foi apenas uma troca de presidentes. Foi a demonstração pública de que a IMBEL saiu de uma crise silenciosa — passivos tributários históricos, faturamento concentrado, exportações paralisadas — para se consolidar como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação com mais de 60 registros de inovação, presença em quatro continentes e autonomia orçamentária quase plena.
O novo Fuzil de Precisão .308 WIN MD1 — herdeiro moderno do AGLC — é o símbolo mais tangível dessa transformação. Enquanto países vizinhos ainda dependem de importações para armar atiradores de elite, o Brasil projeta, produz e está em vias de exportar uma plataforma sniper de nível internacional, fabricada em Itajubá, com peças nacionais e engenharia própria.
O General Flávio Neiva herda uma empresa fortalecida. Seu desafio será levar o MD1, o IA2 automático e o Rádio Rondon da fase de protótipo para o contrato de fornecimento em escala — para as Forças Armadas e, cada vez mais, para o mundo.
O Brasil tem a fábrica, o produto e a demanda. Falta acelerar. E este é o desafio dos próximos quatro anos.
SOBRE O AUTOR
Jorge Aragão é analista político, consultor em segurança pública, privada e corporativa, ex-Representante Oficial da IMBEL (ES e RJ) e especialista em geopolítica e análise de risco. Fundador e editor do Reaction News.







