| |

Golpe no WhatsApp usa marca do Santander para fraudar portabilidade de crédito

Por Jorge Aragão / Reaction News / 22 de julho de 2026

Um aposentado de São Paulo recebeu ontem uma ligação e, em seguida, uma mensagem no WhatsApp aparentemente enviada por uma “consultora financeira do Santander”, oferecendo portabilidade de crédito consignado com redução de parcelas e liberação de troco em dinheiro. A abordagem, tecnicamente sofisticada, reúne dados reais da vítima, identidade visual do banco e condições financeiras sedutoras — características clássicas de golpe de engenharia social direcionado.

A Isca: Proposta Irrecusável com Dados Reais

A mensagem, enviada por número de celular não oficial, cumprimentou o destinatário pelo nome completo — Carlos Roberto Mendes — e apresentou uma proposta detalhada:

  • Parcela atual (Itaú): R$ 1.341,12
  • Nova parcela (Santander): R$ 950,00
  • Taxa de juros: 1,30%
  • Prazo: 94 parcelas
  • Troco liberado: aproximadamente R$ 8.000,00
  • Primeiro desconto: novembro de 2026

O perfil do remetente exibia o logo oficial do Santander, identificação como “Conta comercial” e registro desde julho de 2024 — elementos que conferem aparência de legitimidade ao contato.

Os Sinais de Fraude

Apesar da aparência profissional, a mensagem contém múltiplos indicadores de golpe:

Número não oficial

O Santander não opera atendimento por WhatsApp de linha móvel. Os canais oficiais do banco são 0800 762 7777 e o aplicativo próprio. Nenhum gerente ou consultora entra em contato por número celular para propor renegociações espontâneas.

Mensagens temporárias ativadas

O WhatsApp indicava que a conversa estava configurada para apagar mensagens em 7 dias — recurso que elimina rastros de evidências, prática comum em fraudes digitais.

CNPJ suspeito

O CNPJ informado na mensagem não corresponde ao cadastro oficial do Banco Santander Brasil S.A. Sempre verifique no site da Receita Federal (receita.economia.gov.br) antes de qualquer negociação.

Troco como atrativo

A oferta de R$ 8.000,00 em “troco” — dinheiro liberado além da portabilidade — é um gatilho clássico para capturar vítimas que precisam de liquidez imediata. Na prática, o golpista coleta dados bancários, senhas e documentos antes de desaparecer.

Contato iniciado por ligação

A sequência ligação + WhatsApp é um roteiro estruturado de engenharia social, projetado para criar rapport e urgência antes de apresentar a proposta.

Como Funciona o Golpe de Portabilidade Falsa

O esquema de “portabilidade de crédito consignado falsa” está entre os mais aplicados no Brasil em 2025-2026, segundo alertas do Banco Central e da Febraban. O criminoso age em quatro etapas:

  1. Obtém dados do aposentado (nome, CPF, banco, valor de parcela) via vazamentos de dados ou compra de listas no mercado negro.
  2. Entra em contato fingindo ser consultora de banco concorrente com proposta vantajosa.
  3. Solicita documentos, selfie com RG e acesso ao aplicativo bancário para “formalizar” a portabilidade.
  4. Com os dados em mãos, realiza empréstimos fraudulentos em nome da vítima ou drena a conta diretamente.

A vítima só percebe o golpe semanas depois, quando chega o desconto no benefício do INSS referente a um empréstimo que jamais contratou.

O Que Fazer Se Receber Esse Tipo de Mensagem

Bloqueie imediatamente o número e não clique em nenhum link enviado.

Denuncie pelo próprio WhatsApp (opção “Denunciar”) e ao Banco Central via registrobco.bcb.gov.br.

Nunca forneça senha, token, selfie com documento ou acesso remoto ao celular para nenhum contato não solicitado.

Confirme diretamente com o banco ligando no número oficial do verso do cartão ou acessando o aplicativo baixado da loja oficial.

Análise: Sofisticação que Preocupa

O que diferencia esse golpe dos mais comuns é o nível de personalização. O criminoso sabia o nome completo da vítima, o banco credor e o valor exato da parcela mensal. Isso indica acesso a bases de dados estruturadas — provavelmente provenientes de vazamentos massivos que expuseram milhões de brasileiros nos últimos anos, incluindo aposentados do INSS.

A combinação de identidade visual perfeita, dados reais da vítima e proposta financeiramente plausível eleva exponencialmente a taxa de sucesso desse tipo de fraude. Não é golpe para “pegar incauto” — é operação estruturada, com roteiro, dados e tecnologia. A população idosa e aposentada segue como alvo prioritário, e a resposta do Estado ainda é desproporcional à escala do problema.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *